Em resumo: Empresas como Google e Facebook se apropriam das informações pessoais dos usuários e vendem para benefício próprio. A nova internet traz um sistema lógico e seguro que muda como as pessoas compartilham dados sem precisar de intermediadores. 

A revolução do usuário começou, potencializada por tecnologias descentralizadoras.

Do nascimento da linguagem à emergência da internet, as tecnologias responsáveis pelo progresso da humanidade nos permitem colaborar em novas escalas.

Acordando um propósito comum, nós trabalhamos em grupos cada vez maiores e mais poderosos.

Hoje, com tantos de nós conectados à internet, o anseio de se ter 3,5 bilhões de pessoas compartilhando conhecimento e colaborando uns com os outros sem fronteiras se mostra, ao menos em teoria, algo atingível.  

Sendo assim, por que a internet não nos uniu?

O que faz com que nossa confiança nas instituições esteja se degradando, sejam elas o governo, a mídia ou as empresas?

Por que nos parece tão difícil assumir compromissos capazes de nos levar a atingir os fins que desejamos?

Certamente, há muitas respostas, mas aqui vai um bem direta: a internet está quebrada.  

 

 

Informação

“No final, nossas mentes e sua capacidade de criar novas idéias são a fonte suprema de toda a riqueza humana. Esse é um recurso quase sem limite.”— Ramez Naam, The Infinite Resource: The Power of Ideas on a Finite Planet 

A internet democratizou o acesso à informação de uma maneira que antes parecia estar restrita à esfera da ficção científica.

Artigos, vídeos e ideias se tornaram amplamente disponíveis, podendo ser transmitidos, e nossa habilidade de nos comunicarmos uns com os outros, organizar grupos e coordenar conjuntamente nossas atividades explodiu.

Mas justo quando o mundo pareceu ter se tornado mais aberto, nós identificamos um novo tipo de informação, mais valioso do que qualquer outro, e escondemos muito disso em cofres privados.

A internet nos permitiu gerar, coletar estrategicamente, e implementar dados riquíssimos sobre diversos cidadãos, iniciativas, mercados e sociedades.

Um pequeno e exclusivo grupo de usuários filtrou esses dados, guardando-os para si e utilizando tudo para ganho próprio.

Para resistir à privatização de dados, a comunidade de código aberto existe desde o início da própria a computação, o que começou com os cypherpunks.

O movimento produziu grandes feitos como o Linux, a Wikipedia e inúmeras outras plataformas, ferramentas e projetos bem-sucedidos.

No entanto, uma batalha foi perdida: o controle da Web 1.0 e 2.0.

Nesse campo, os vencedores eram colecionadores de dados pessoais e vendedores, como o Facebook ou a Google.

Finalmente, porém, a situação está mudando.

Hoje, temos uma nova chance, com uma “nova Internet”, construída e mantida a partir de redes descentralizadas baseadas em código aberto, como é o caso da plataforma Ethereum, uma espécie de “grande computador mundial”.

Muitos dos principais players do mercado já estão, inclusive, reconhecendo os benefícios do código aberto, além de explorar modelos de negócios orientados pela própria comunidade em torno deles.

Criadores e desenvolvedores podem assumir o poder novamente, caso somem esforços a tempo.

Podemos construir uma nova Internet que nos coloque em primeiro lugar. Nós os usuários.

Valor

“No século XXI, nossos dados pessoais são provavelmente o recurso mais valioso que a maioria dos humanos ainda tem para oferecer, e estamos dando aos gigantes da tecnologia em troca de serviços de e-mail e vídeos engraçados de gatos.” — Yuval Harari, Homo Deus

Há uma incômoda tensão na internet hoje.

Colaboradores dos mais variados campos, como músicas, ideias, artes, computação, etc, querem enriquecer a esfera pública, mas precisam se sustentar e serem pagos pelo trabalho que fazem.

Esse trabalho agrega enorme valor às nossas vidas, tornando-as melhores e, por vezes, até mesmo as “salva”.

O problema é que a forma como trocamos dinheiro entre nós captura a noção de valor em apenas duas dimensões.

Quando, na verdade, o valor está sendo criado em todas elas.

Aponte seus olhos para um propaganda no metrô e… valor foi criado! Escreva um tweet com uma hashtag popular. Acenda as luzes. Acesse seu Facebook. Reporte o tráfego no Waze. Conte a alguém seu segredo.  

Há uma mudança em curso na forma como usamos a internet, de uma internet da informação para uma internet do valor, na qual nós trocamos coisas e nos comunicamos sem fricções ou intermediários.

Nesse novo mundo, nosso valor é algo que carregamos por aí conosco, que pertence a nós e somente nós (a não ser que façamos a opção voluntária por trocá-lo com alguém).

O valor é capturado em tantas dimensões quanto forem existentes na realidade.

A representação de valor que existe no plano virtual se torna tão rica com os dados existentes que o virtual passa a se confundir com o real.

 

Confiança

Sem confiança, não há amor — Mito de Eros and Psiquê.

Por que não confiamos uns nos outros? Talvez nós confiássemos quando vivíamos em tribos.

Em um grupo pequeno, é plenamente possível se lembrar de todos desde o momento do nascimento, além de se saber as características que compõem a identidade de cada indivíduo. Ela é doce. Ele é exagerado. Ela gosta de dormir muito…

Hoje, nós concedemos às instituições o poder de resguardar a confiança.

Pagamos por tais serviços justamente porque, sem a confiança, não existem acordos comerciais, vistos no passaporte, linhas de créditos ou tratados de paz.

Mas o que acontece quando criamos uma identidade universal – uma base comum de confiança, reconhecida em larga escala, capaz de existir sem a necessidade de uma autoridade central.

E se construíssemos um sistema lógico, programável e seguro por natureza?

E se todos pudessem compartilhá-lo, acessá-lo e ajudá-lo a crescer, tudo e todos exatamente ao mesmo tempo?

“Dada uma base de co-desenvolvedores e beta-testers suficientemente grande, quase todos os problemas serão caracterizados rapidamente e a solução será óbvia para alguém.” — Eric S. Raymond, The Cathedral & The Bazaar

Existe uma nova internet nascendo, e com ela, uma nova realidade.

Os arquitetos do futuro já estão construindo esses sistemas.

Mas tais sistemas são de código aberto, o que significa que se você ajudá-los nessa construção eles serão ainda melhores e mais fortes.

Nós podemos, sim, usar a tecnologia para fazer um mundo melhor.

Nota: Esta é uma tradução do texto “Let’s build a new Internet”, publicado originalmente no site em inglês Medium.