Entre os dias 15 e 19 de janeiro, uma missão brasileira esteve presente em alguns dos principais centros globais  de pesquisa e desenvolvimento focados em tecnologia blockchain. Contemplando membros do ITS Rio e do BNDES, a equipe visitou cinco universidades e três empresas, todas focadas na troca de experiências institucionais.

Do ITS Rio, estiveram presentes os coordenadores do grupo de estudos em aplicações da tecnologia blockchain para o interesse público, conduzido pelo instituto desde agosto de 2017. Já o BNDES enviou para a missão sua equipe de estudos e desenvolvimento em blockchain, composta por 4 profissionais da área de tecnologia e 1 profissional da área de negócios. O time, inclusive, fez a viagem como consequência de sua premiação no festival de inovação aberta realizado internamente pelo banco em 2017.

Na agenda, a conversas com os diretores acadêmicos de centros de grande reputação como Media Lab do MIT, Kennedy School of Government e Berkman Klein, ambos da Universidade de Harvard, permitiram explorar o potencial de blockchain em casos de usos reais e inovadores. Dentre os principais tópicos discutidos nas universidades, destacam-se o poder da tecnologia para o estabelecimento e a gestão de identidades digitais, o impacto que moedas digitais podem ter nos sistemas monetário e financeiro tradicionais e o potencial de adoção que a tecnologia deve ter para os governos nos próximos anos; alguns dos quais, inclusive, já estão criando suas próprias moedas digitais.

No âmbito empresarial, as conversas se deram com profissionais de negócios da R3, da ConsenSys e da Latoex. Na R3, consórcio formado por grandes bancos e instituições financeiras, as discussões foram pautadas nas vantagens competitivas do protocolo CORDA, criado pela companhia com foco exclusivo no mercado de aplicações financeiras, sendo alegadamente mais otimizado em termos de escala e funcionalidades para o segmento do que qualquer outra alternativa.

Já na ConsenSys, venture builder focada na criação de aplicações em Ethereum, com sede em Nova York, foram explorados principalmente o potencial de blockchain para a construção de projetos de impacto social e o que vem sendo feito pela empresa junto a governos estrangeiros. Em territórios como Suíça, Estônia e Emirados Árabes, a ConsenSys vem firmando importantes parcerias com o intuito de prover maior transparência e segurança a dados públicos, além de garantir a simplificação e o barateamento de inúmeros processos através da blockchain.

Em visita ao escritório norte-americano da empresa Latoex, constituída por empreendedores brasileiros, o debate girou em torno do futuro do mercado financeiro. Os membros da missão puderam entender que tipo de impacto real na economia latino-americana pode ter a tokenização de ativos. Em especial no contexto brasileiro, em que o acesso a investimentos ou à abertura de capitais ainda são caros e burocráticos, tanto ITS e BNDES puderam discutir sobre experiências próprias e melhores práticas multissetoriais, as quais podem levar o Brasil a um novo patamar em termos de inovação financeira. Tudo graças à blockchain.

Nas próximas semanas, publicaremos em nossos canais relatos completos sobre cada uma dessas visitas, escritos por membros da missão. Para acompanhá-los, não esqueça de nos seguir nas redes sociais.