Uma das principais questões presentes no mercado de seguros é: como coletar e salvar, de forma simples e rápida, provas documentais que permitam à seguradora distinguir casos legítimos de fraudes?

Nesse sentido, por exemplo, por meio da integração da tecnologia blockchain ao aplicativo de uma seguradora de veículos ou saúde, o cliente pode documentar o fato em questão (como fotografar as evidências de uma batida com seu veículo ou um acidente pessoal) e registrar os documentos em sua forma digital na blockchain.

Uma vez registrados na blockchain, a seguradora poderá ter certeza da exata data de ocorrência e da autenticidade dessas evidências coletadas, certificando-se que há total correspondência entre o que e quando recebeu do usuário em termos de provas e o que foi registrado pelas aplicações oficiais da empresa. Aplicações como essa e outras foram tema do painel sobre Tecnologia Blockchain ocorrido no evento Insurance Innovation, realizado em São Paulo nos dias 8 e 9 de novembro.

Já se sabe há algum tempo que dos impactos de blockchain no setor dos seguros. Até mesmo gigantes do setor, a exemplo da AIG, estão testando a digitalização de apólices de seguro que se tornam registros transacionáveis em blockchain. Conforme destacado por Gabriel Aleixo, co-fundador da A Star Labs e painelista da mesa, o principal atrativo para o setor é o fato de que redes como Bitcoin, Ethereum ou Hyperledger “trazem consigo segurança e transparência inigualáveis”. Isso porque, segundo o especialista, “uma vez registrada numa blockchain, qualquer informação se torna imutável, bem como os metadados associados a ela. Assim, pode-se garantir não apenas a integridade dos dados registrados, como também quem os gravou na base de dados e quando, fatores importantíssimos para aplicações em seguros.”

Mediado por Marcelo Miranda, CEO da Finchain, o painel contou ainda com a participação de outra autoridade no assunto: Bernardo Madeira, sócio-fundador da Smartchains. Dentre os pontos levantados por Madeira, vale destacar a ênfase dada ao potencial do uso de redes permissionadas nesses segmentos. “É possível montar uma rede permissionada baseada em um consórcio fechado de players.

Nós da Smartchains fazemos exatamente isso, alinhamos todas as partes interessadas de uma determinada indústria, de um determinado setor, e construímos uma blockchain baseada na tecnologia Hyperledger. Isso garante que informações cruciais sejam resguardadas por todos os envolvidos em uma cadeia de seguros, por exemplo, da seguradora, ao usuário, ao regulador, prevenindo fraudes e otimizando processos entre todos.”, afirmou Bernardo.

Tendência real em variados setores, dado que no Brasil e no mundo já se passa da etapa de mera especulação para a construção de provas de conceito, a blockchain tem mostrado que veio para ficar. Cada vez mais o tema deixa de ser pauta apenas em eventos de nicho, passando a constar no interesse e na programação de eventos específicos, como já é o caso de seguros, educação, gestação da informação e finanças.