Foi realizado em São Paulo o primeiro meetup fruto da parceria do inovaBra com o Infochain. Voltado a promover uma discussão sobre as possibilidades que a tecnologia blockchain possui para transformar o mercado financeiro, o encontro ocorreu no espaço do ecossistema de inovação colaborativa da instituição, criada pelo banco Bradesco. Mediada por Gabriel Aleixo, co-fundador do Infochain, a conversa se deu entre os empreendedores Diego Perez, presidente da associação Blockchain Hub Brasil, e Fábio Silva, CEO da Latoex.

Nas considerações introdutórias, Aleixo destacou avanços importantes trazidos pela blockchain: “pela primeira vez, tornou-se possível reproduzir a escassez do mundo físico no universo digital. Hoje, por exemplo, quase todo ativo ou bem de uso financeiro pode se transformar em um registro na blockchain, tendo asseguradas sua autenticidade e imutabilidade”. Esse paradigma será essencial para as próximas aplicações que devem emergir da adoção no mercado financeiro. O processo que antes se limitava à “securitização” de um ativo, agora vem tomando uma nova forma e esta tendência vem sendo chamada no meio de “tokenização”.

Segundo a definição apresentada por Fábio durante o evento, quando explicada de forma simples, a tokenização pode ser entendida como “o processo que torna em um registro digital um ativo financeiro que, até então, era apenas analógico”. Ao longo do debate, quando perguntado pela plateia, o empreendedor deu maiores detalhes sobre como a empresa que fundou atua nesse segmento. A Latoex integra diferentes etapas do processo, contemplando a digitalização de ativos tradicionais (que podem ser, por exemplo, cotas de um fundo ou um título do Governo), a listagem pública desses ativos, uma vez tokenizados, e uma arrojada plataforma de bolsa para que qualquer um negocie livremente estes e outros ativos digitais.

Por sua vez, a fim de detalhar as possibilidades e eventuais limitações desse mercado na América Latina, Diego deu detalhes sobre o ambiente regulatório na região. Como destacado pelo advogado, as autoridades competentes vêm observando com atenção fenômenos como a febre dos ICOs e o crescente entusiasmo de investidores brasileiros com o mercado global de criptoativos. Segundo Diego, ainda que com ressalvas pontuais, os órgãos brasileiros têm se mostrado favoráveis a uma interpretação regulatória inteligente, a qual proteja o investidor sem tornar excessivamente burocrático o ecossistema.

Ao final, a plateia pôde fazer perguntas diretas aos painelistas. O momento foi de grande interação, com esclarecimento de dúvidas técnicas e apresentação de insights pelos presentes. Além de tendências como a tokenização de ativos, foram levantadas questões referentes à escalabilidade necessária para que as blockchains atendam a certas demandas atuais do mercado financeiro, ao futuro das moedas digitais e ao potencial da blockchain para a construção de serviços financeiro mais rápidos e acessíveis.

 

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