Em uma de suas mais fascinantes obras (Anti-Frágil), o ensaísta e estatístico Nassim Taleb compara o que chama de sistemas frágeis com os anti-frágeis.

Anti-frágil é aquele sistema cuja resiliência pode ser evidenciada por um fortalecimento ocorrido após um momento de crise. Assim é, por exemplo, o corpo humano cuja força é maior após vencer uma virose, podendo se tornar imune a ela.

Ao longo dos últimos acontecimentos, tem ficado cada vez mais evidente a fragilidade do sistema financeiro e monetário mundial, suscetível a recorrentes crises em que a quebra de um banco põe em risco a segurança de todos os outros.

Uma falha não parece evitar outras e na tentativa de remediá-las politicamente os bancos centrais injetam dinheiro público arrecadado de cidadãos que, em sua maioria, pouco ou nada têm a ver com esses problemas. Ou seja, além de ineficiente no longo-prazo, trata-se de um processo moralmente questionável.

Por outro lado, à luz do conceito de Taleb, o Bitcoin tem se mostrado cada vez mais anti-frágil. Quando a Mt. Gox, um dos maiores sites para compra e venda de bitcoins naquele momento (2013) foi à falência, perderam seus recursos apenas os usuários daquele site especificamente, um dentre vários na história das moedas digitais. Não houve resgate de empresas ou “pacotes de estímulo”.

O Bitcoin enquanto sistema de geração e transação das moedas digitais de mesmo nome permaneceu intocado e o ecossistema em torno dele se fortaleceu substancialmente, com a sobrevivência apenas das empresas e serviços que ofereciam as melhores práticas. No caso, aquelas que passaram a operar com maior transparência após o ocorrido com a então concorrente.


No quesito técnico, o Bitcoin em si é protegido por criptografia de nível militar, fazendo com que seja impossível no horizonte próximo quebrar o sistema para gerar moedas falsas ou algo semelhante. No dia em que isso for possível o problema não será apenas com o Bitcoin, mas também com os bancos tradicionais, serviços online, etc, todos com a segurança baseada nessa mesma criptografia.

Além disso, os sistemas tradicionais, ao contrário dos distribuídos, tendem a ser frágeis. Se um elo da cadeia passa por problemas todos os demais sofrem consequências. Assim foi, por exemplo, com o sistema financeiro na crise de 2008 e tende a ser com o euro no atual momento, no qual uma grande população sofre consequências drásticas de transtornos pelos quais não são responsáveis diretamente.  

De todo modo, embora tenha toda essa resiliência, o Bitcoin pode ainda conter falhas a serem corrigidas, mas a julgar pelo que tivemos de 2009 até hoje (um sistema extremamente funcional), é possível ser otimista.

Com novas empresas e indivíduos trabalhando com a moeda, torna-se evidente a aceleração no ciclo de inovações, à medida em que cada vez mais pessoas passam a entender com profundidade as peculiaridades do Bitcoin.

Ademais, se começamos a entender avanços programados na tecnologia para o próximo ano, como Lightning Network, MimbleWimble e outros, veremos que o Bitcoin tende a se tornar cada vez mais irresistível, dada a utilidade potencial que ganhará para cada vez mais pessoas.

Logo, pode-se antever um cenário progressivo de menores taxas de operação, crescente universalidade e alta agilidade do sistema, uma vez compreendidas, abrem espaço para novos serviços nos ramos de remessas internacionais de valor, micropagamentos, pagamentos privados, crowdfunding e comércio de bens digitais (músicas, jogos, etc), áreas em que ignorar o Bitcoin e suas vantagens seria especialmente equivocado.

E isso, naturalmente, vem trazendo e trará ainda mais investimentos em sua infra-estrutura de segurança e afins ao longo do processo.